Irmandade São João Batista / Festa do Divino do Rio Vermelho

Festa com 105 anos
País: Brasil
Região: Santa Catarina
Local: FLORIANÓPOLIS
Morada: Rod. João Gualberto Soares, 6847 – Rio Vermelho (prox. Igreja S. João Batista e Pça. João G. Soares)
Telefone: 55+048-3269-7938/8474-8456
E-mail: zeliaolinda@ig.com.br
Ano da Fundação: 1921
Festa proposta por:
Nome: Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina - CAISC
E-mail: caisc.ilha@gmail.com

São João do Rio Vermelho nasceu da Re­solução Régia de 11 de agosto de 1831, com uma área estimada de 31,68km2. Hoje, abrange o Parque Florestal do Rio Vermelho, Moçambique e São João do Rio Vermelho, que é sede do Distrito.

A cor avermelhada que adquire a água do rio no seu percurso, desde a nascente até à foz, na Lagoa Conceição, correndo por terre­no barrento, em época de chuva, deu origem ao nome da freguesia.

O cultivo da mandioca, café, feijão, açúcar e do amendoim e a pesca artesanal impulsio­naram o desenvolvimento do povoado funda­do por açorianos no século XVIII, quando, estabelecidos na freguesia da Lagoa da Con­ceição, avançaram pela região à procura de terrenos férteis e campos de pastagem.

A história cultural e social da localidade está gravada nos seus casarões coloniais, engenhos de farinha de mandioca e irradia-se por sítios arqueológicos: sambaquis, oficinas líticas, inscrições rupestres, algumas até de origem pré-colombiana.

A igreja em louvor a São João Batista co­meçou a ser construída em 1756. Com a sua arquitetura singela é um importante marco histórico e em seu redor prosperou a fregue­sia conhecida pela sua expressiva produção artesanal de farinha de mandioca. Foi eleva­da a Paróquia em 1831 e foi seu primeiro pá­roco o Padre António de Santa Pulquéria Mendes de Oliveira, que ficou conhecido pela sua sabedoria e pela contínua luta junto às autoridades da Província em defesa da ma­nutenção do património religioso.

Não se sabe ao certo quando começou a ce­lebração do Espírito Santo no Rio Vermelho. Os moradores mais antigos lembram-se dos pais, dos avós fazendo o “Divino” ou contando histórias sobre a passagem da Bandeira e da corte, que tinha apenas o “pade-espadim” e a menina Imperatriz. Nas suas memórias, o re­gisto da Festa está relacionado com a época da tainha (maio e junho). Os pescadores tra­ziam a Bandeira do Divino, desde a freguesia do Rio Vermelho até à Praia dos Ingleses, pre­sa num mastro bem alto. Os ranchos dos pes­cadores e as baleeiras eram enfeitados com ban­deirinhas e flores para receberem a visita do “San­to”. Os Foguetes e a reza da novena na capela do Sagrado Coração completavam o périplo.

Nos últimas décadas, pouco se alte­rou o ritual da celebração do Espírito Santo.

A Bandeira ainda sai em visita sob a coordenação do Ca­sal Imperador com a participação dos Irmãos do Divino (não constituem Irmandade na acepção da palavra) e voluntários levando a Coroa, o Cetro e a Bandeira, tendo à frente uma pessoa que toca tambor e anuncia a vi­sita.

A Bandeira saía em visita, percorrendo as localidades de Muquém, Capivari, Praia dos Ingleses e Rio Vermelho sob a guarda dos Ir­mãos e acompanhado dos foliões que costu­mavam cantar em agradecimento pelas ofertas recolhidas:

Desse uma fita a bandeira

E nesta hora tão querida

É uma fita encarnada

Uma fita encarnada, ái …

Este sinhô já voltou.

 Este sinhô já voltou

E vem chegando à sua morada, ái …

Com esta bandeira sagrada

Com esta bandeira sagrada, ái …

Antigamente, três dias antes da festa, o Imperador, acompanhado pelos Irmãos do Divino, leva­va a Bandeira, a coroa, a salva e o cetro para a sua residência e depositava-os num altar ar­mado na sala principal da casa e dava início às novenas da véspera dos festejos.

No sábado, uma procissão de Irmãos com as suas opas vermelhas levando tochas acesas e Bandeiras do Divino, o pároco e a população dirigem-se para a casa do Imperador, a fim de convidá-Io para dar início à festa em honra ao Espírito Santo, assistindo na Igre­ja à novena cantada.

Barraquinhas, bailes e a banda de música animam a praça fronteiriça à igreja e ao Império, até tarde da noite. A voz do leiloeiro, com as suas tiradas de humor impagável, apregoa as prendas e diverte o público.

A noite en­cerra-se com uma queima de fogos que será maior ou menor conforme a posse do Casal Impe­rador.

 O mesmo ritual do sábado tem lugar no do­mingo pela manhã, quando todos se dirigem à Igreja onde é celebrada a missa solene em lou­vor ao Divino e será coroado o Imperador-me­nino pelo sacerdote que preside a cerimónia. Du­rante a missa, o Festeiro retira a coroa da cabe­ça do Imperador e substitui-a pelo chapéu im­perial. No final da missa, o Imperador-menino recebe novamente a coroa e a Imperatriz-me­nina o cetro. Em cortejo, acompanhados pelos Irmãos e populares, seguem para o Império onde são reverenciados e onde ocorrem os atos tra­dicionais de entrega das massas de promessa e o beijo na pombinha que encima o cetro ou a Bandeira do Divino. As massas sovadas seguem a mesma receita dos seus antepassados e são mol­dadas na forma de braços, cabeças, pés, cora­ção, corpo, conforme a promessa feita. Na praça da Igreja os festejos continuam divertindo os populares que vieram de todos os lados para participarem da Festa.

A meio da tarde é anunciado o nome do Novo Imperador e com grande acompanha­mento o sacerdote e o atual Imperador, tendo à frente a banda musical, vão à casa do esco­lhido entregar-lhe as alfaias simbólicas.

Nestes anos todos de observação da festa do Espírito Santo na localidade do Rio Ver­melho, verifica-se a força da tradição pre­sente no quotidiano das pessoas e a alegria do convívio na partilha de momentos coletivos, como no almoço festivo que, realizado no do­mingo, era servido num imenso pavilhão com capacidade para mil pessoas sentadas. Infelizmente, hoje já não oferecido, mas sim vendido. Os tempos mudaram. O lucro da festa vai para a manutenção da capela e, muitas vezes, é a única forma de se arrecadarem re­cursos para promover algum benefício ou melhoramento no templo.

A Igreja de São João Batista deixou de realizar a Festa em 1983 e 1984, voltando a fazê-la em 1985. A tradição foi revivificada e a festa em Louvor ao Espírito Santo voltou a ser cele­brada com a mesma pujança e devoção do pas­sado.

http://www.pscj.org.br


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