As festas do Espírito Santo foram trazidas para os Açores pelos primeiros povoadores. Devido às erupções vulcânicas e às crises sísmicas as pessoas em momentos de medo, de angústia e de sofrimento recorreram, com muita fé, à proteção do Divino Espírito Santo, através das chamadas promessas, as quais consistem na dádiva de esmolas constituídas por pão, carne e vinho aos mais necessitados.
As irmandades encarregam-se da distribuição da carne, do pão e do vinho em cada localidade e no próprio dia fazem um jantar que é partilhado pelos “irmãos” do ponto, familiares e amigos, cuja ementa é composta pelas tradicionais e saborosas “sopas”, carne cozida e assada, vinho de cheiro e arroz doce.
Um solene cortejo, que incorpora as insígnias de Espírito Santo, coroas e estandartes, percorre as principais ruas da freguesia e dirige-se para a capela do Império. As mulheres, integrantes deste préstito, levam à cabeça os açafates com “bolos” ou “rosquilhas”, para que depois de benzidos sejam distribuídos por todos os presentes.
Esta freguesia tem três irmandades que celebram, cada uma, a sua festa em dias tradicionalmente consagrados para esse efeito: a Irmandade dos Marítimos levanta o seu império no domingo do Espírito Santo, a dos Foros na segunda-feira do Espírito Santo e a dos Fetais e Feteira no domingo da Trindade, se bem que, hoje em dia, esta demarcação já não seja tão normativa e rigorosa como antigamente.
Atualmente, podem existir “irmãos” que sejam comuns a diferentes irmandades. É tradição durante a semana antecedente a cada festa, cantar-se o terço ao Divino Espírito Santo em casa do mordomo. O terço do Espírito Santo é rezado ou cantado por familiares, amigos e conhecidos junto ao altar ornamentado com velas e flores, onde era devotamente colocada a coroa, símbolo da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
Para além da recitação do terço, estes serões eram aproveitados também para um salutar convívio, para se realizarem alguns jogos e os tradicionais bailes de roda e a “chamarrita”.
Atualmente, o terço continua a ser cantado, não como antigamente, na casa do mordomo, mas sim na capela do Espírito Santo da freguesia.
Os estandartes são as primeiras insígnias que integram o cortejo do Espírito Santo, que é acompanhado pela banda filarmónica da freguesia, a Filarmónica Lira Fraternal Calhetense.






