Festa do Divino de Canasvieiras

País: Brasil
Região: Santa Catarina
Local: FLORIANÓPOLIS
Morada: Rua Tertuliano de Brito Xavier
Telefone: 55+048-3266-5484/8474-4335
E-mail: Adesia2010@gmail.com
Festa proposta por:
Nome: Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina - CAISC
E-mail: caisc.ilha@gmail.com

O antigo povoado de São Francisco de Pau­la de Canasvieiras nasceu em consequência da expansão demográfica das populações luso-açorianas na Ilha, sendo elevado à cate­goria de freguesia pela Lei Provincial n° 008 a 15 de abril de 1835. O atual Distrito de Canasvieiras possui uma área esti­mada em 29,30 km2. Integram o Distrito as praias de Canasvieiras, Pontal, Jurerê, Forte e as localidades de Vargem Pequena, Ponta Grossa, Lamin e a sede, Canasvieiras.

Na sede da freguesia foram iniciadas em 1830, por Eduardo Moreira, as obras da Igreja que teria por padroeiro São Francis­co de Paula, uma construção que se prolongou por muitos anos. Ao seu redor, o casario singelo, de pedra e cal, e a casa do Império, onde se realizavam as Festas do Espírito Santo, com linha arqui­tetónica colonial, testemunham a presença dos muitos açorianos aí alojados e que deixaram o seu nome e as suas tradições ligadas à his­tória do lugar.

A Festa repete-se, ano após ano e guarda nas suas manifestações a lembrança de um le­gado, de raízes profundas alinhavadas no tempo e vividas no coração desta comunida­de praieira.

Em Canasvieiras, como nas demais comu­nidades do interior da Ilha de Santa Catarina, a Festa do Espírito Santo foi sempre popu­lar; oportunidade de confraternização para todos os moradores que abriam as suas casas para receber os visitantes com muita alegria, comida, bebida e música. Junto da festança, eram doadas esmolas aos pobres da localida­de pelo Imperador da festa e sua família, numa prática da caridade cristã, da fraterni­dade e igualdade. Reproduziam, na sua sim­plicidade, “os bodos”, a distribuição da comi­da entre os necessitados e a partilha do ali­mento entre todos os moradores que partici­passem do almoço no domingo da festa. Uma tradição açoriana que foi mantida em muitas freguesias catarinenses, como também em Canasvieiras, onde antigamente era uso o Im­perador mandar abater na véspera da festa uma ou mais reses e, depois distribuí-Ias, em pequenas porções, aos pobres. Era costume, também, oferecer um faustoso banquete, para todos os moradores. Daí a razão de o Impe­rador ou festeiro ser uma pessoa abastada, de bom gosto e muita animação, para poder custear as despesas da festa e aguentar a in­tensa movimentação.

Os tempos são outros. A freguesia cresceu, expandiu-se a popula­ção, os costumes mudaram e tornou-se im­possível manter algumas dessas tradições an­cestrais.

A Festa do Divino Espírito Santo de Ca­nasvieiras dos dias atuais segue o modelo das demais festas da Ilha. Ocorre no mês de ju­lho, obedecendo ao calendário da Paróquia de Ingleses do Rio Vermelho, a que pertence, a fim de evitar a coincidência de datas com ou­tras capelas da região. É organizada pelo festeiro em conjunto com o CAEP – Comis­são de Assuntos Económicos Paroquial, da Irmandade de São Francis­co de Paula e do Divino Espírito Santo e com a efetiva participação de toda comunidade.

Um mês antes da festa, começa o périplo da Bandeira do Divino que visita todas as casas da redondeza levada pelo festeiro, amigos e membros do CAEP. Não tem acompanhamen­to de folião ou de tambor. Apenas a Bandeira ou “o Santo” como chamam a pombinha que está no ápice do mastro e que simboliza a Ter­ceira Pessoa da Santíssima Trindade. A família recebe a Bandeira na porta da casa, levando-a para percorrer todos os aposentos, pedindo as bênçãos do Divino. Na visita, é feita uma ora­ção e entoado um canto em louvor ao Espírito Santo. À saída é entregue a oferta em dinheiro, colocado dentro da coroa. Se tiver havido pro­messa, esta será paga em forma de fitas de ce­tim coloridas que são penduradas no mastro da Bandeira. Também se pagam com as tradi­cionais “Massa de Promessa” que serão leiloa­das ou vendidas.

Na semana que antecede a festa são rezadas novenas e, na sexta-feira, começa a programa­ção dos festejos com quermesse, sorteios, leilões, apresentações folclóricas, espetáculos musicais e muita comida e bebida em barracas armadas no pátio da capela. Uma grande festa popular que, no passado como no presente, requer mui­ta animação e, ainda, propicia os na­moros, os romances, que florescem animados pelo leiloeiro e pelo arremate de uma prenda oferecida à eleita ou pretendente.  

Na sexta-feira e no sábado o ritual é igual.

A Banda Musical, tendo à frente a Irmandade com a sua opa vermelha e as porta-bandeiras, vai buscar o Ca­sal Festeiro, a Corte Imperial, vestida a cará­ter, e convidados para assistirem à missa na Capela São Francisco de Paula. A antiga deno­minação de “juízes e mordomos” foi aqui subs­tituída por “padrinhos”, e a missa da sexta-fei­ra é celebrada em sua homenagem.

Domingo é o grande dia. Desde cedo, o mo­vimento é intenso com a abertura das barra­cas e o rebentar de foguetes anunciando a chegada do cortejo imperial, que repete o trajeto da sexta-feira e do sábado. No átrio da capela, populares em trajes domingueiros aguardam a procissão que traz à sua frente as porta-bandeiras, os Irmãos engalanados, seguidos do Imperador, Imperatriz e sua cor­te, do Casal Festeiro que leva a coroa e o cetro, das autoridades e convidados e, por último, da tradicional Banda Musical. Na manhã de domingo tem lugar a mis­sa solene, cantada pelo Coral São Francis­co de Paula, em louvor do Divino, oficiada pelo pároco. Durante a celebração há a ce­rimónia de coroação do jovem Imperador pelas mãos do Festeiro. Após o término da missa, segundo o costume local, o Casal Festeiro, o Imperador e toda a Corte são conduzidos ao Salão Paroquial, onde será servido o Almoço Comunitário, a preços simbólicos, para motivar a participação popular e manter o costume de partilha do alimento, de confraternização.

No pátio da secular Igreja São Francis­co de Paula a programação continua com os festejos populares e muitas atrações ar­tísticas acontecem no decorrer do dia. Ao cair da tarde, aos sons dos sinos e do fo­guetório o cortejo retorna com grande pom­pa à Igreja, onde será celebrada a missa de encerramento da festa. Na ocasião o Casal Festeiro anuncia o Festeiro para o ano se­guinte. Após ter seu nome proclamado, o novo Festeiro recebe a coroa, o cetro e a salva e assume o compromisso de fazer a Festa do Divino e manter viva a tradição. Uma tradi­ção que foi interrompida por cinco anos e que, graças a dona Alda Teonília Sardá da Costa, foi retomada em 2001.


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