O culto ao Divino Espírito Santo em São Lourenço do Sul é percebido como resistência cultural e religiosa, na única colónia particular de colonização germânica que prosperou no sul do Brasil.
São Lourenço do Sul situa-se no extremo sul do Brasil no estado do Rio Grande do Sul, distando da capital do estado Porto Alegre, 183 km, com uma área geográfica em torno de 2036 km² distribuídos por oito distritos.
A população do município está quase igualitariamente distribuída entre a zona rural e urbana. Segundo o último Censo/IBGE contava-se 46.000 habitantes, sendo 45% na zona rural e 55% na zona urbana.
A origem de São Lourenço do Sul remonta ao século XVIII, quando a Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias de terras a militares que se haviam destacado nas guerras contra os espanhóis. No ano de 1786, El Rei de Portugal, em carta régia, doa ao açoriano Capitão de Dragões José Cardoso de Gusmão, uma sesmaria de terras, na encosta da serra dos Tapes. Os primeiros habitantes brancos foram portugueses do continente e das ilhas pertencentes ao reino luso, foram eles que deram nome ao lugar.
Na localidade denominada Vila do Boqueirão, desde 1804, havia uma pequena concentração humana, neste lugar formou-se um aldeamento em torno de uma capela. É a mais antiga povoação do município de São Lourenço do Sul, situada na zona em que as terras de fazendas da planície costeira da Laguna dos Patos se encontram com a Serra dos Tapes, distando 15 km do distrito sede.
Fundamentada em pesquisas históricas, a professora Eloíza Nascimento aponta o coronel Simão Soares da Silva (1741-1818), casado com Joaquina Rosa do Nascimento, como um dos fundadores da capela de Canguçu e da capela de Nossa Senhora Imaculada Conceição do Boqueirão em 1807, por exigência dos moradores do lugar.
A capela começou a ser erguida em 1809, em terras doadas por Afonso Pereira Chaves. Anos mais tarde, José da Costa Santos adquire a estância de São Lourenço, que incluía estas terras, localizadas no extremo norte da fazenda.
Ao morrer, José da Costa Santos deixa para a sua viúva um milhão de réis em prol da construção da igreja e a quantia de cem mil réis para cada órfão e viúva pobre da vila.
A viúva senhora Ana Gonçalves da Silva Costa Santos dedicou-se a cumprir tais propósitos, criando para isso, a Irmandade de Nossa Senhora Imaculada Conceição do Boqueirão. Mulher de fibra e abnegada trabalhou junto a esta, pelos menos favorecidos, legalizou os títulos de propriedade dos terrenos pertencentes à Igreja e construiu-a. (1830-1868).
Este era o local de maior contingente populacional da Vila de São Lourenço que, em 1850, contava com 500 moradores. São inúmeras as tentativas de transferir a sede da Vila para a margem da Laguna; Scholl Costa afirma: “no ano de 1830, a Capela de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, passa a paróquia, conforme decreto imperial”.
A Celebração do Culto ao Divino em São Lourenço do Sul tem o seu primeiro registo em livro de assentos, no ano de 1890. A comunidade não regista lacunas nas celebrações da mesma.
São Lourenço do Sul tem um processo histórico de ocupação diferenciado. O seu padroeiro é São Lourenço, mas na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, a comunidade e a Igreja pertencem à coroa de prata que, anualmente, coroa a imperatriz do Divino Espírito Santo.
A implantação do Mastro – faz-se quarenta dias antes do domingo de Pentecostes.
A Imperatriz – usa a coroa e um manto e é escolhida no fim da celebração da missa festiva, devendo reinar até ao próximo ano; deve ter no máximo 16 anos, pertencer à comunidade e escolher suas aias.
Aias – escolhidas pela imperatriz devendo acompanhá-la nas celebrações religiosas; vestem-se de branco (nos dias atuais) e são crianças.
Império – recebe Imperatriz e Aias
Novenas – acontecem às 6 horas e às 20 horas, após a celebração, a festeira distribui pãezinhos e ou lembranças representativas; na última noite das novenas, ocorre a procissão luminosa com salva de fogos e repicar de sinos.
Casal Festeiro – escolhido pela comunidade, durante os festejos, assume as tarefas da próxima celebração a partir daquela data.
Procissão – no domingo, a Imperatriz, as aias, o casal festeiro, o mestre sala, o padre e a Corte com roupa de gala, deslocam-se ao som do repicar de sinos num curto trajeto até a igreja.
Banda – no domingo festivo, a banda do município juntamente com o mestre-sala passa por toda a vila convidando para os festejos.
Cantoria – o coral da comunidade acompanha toda a missa festiva.
Bodo – sete dias após os festejos do Divino, no domingo, ao meio dia, a comunidade e a comissão festeira reúnem-se para avaliar a festa, agradecer e confraternizar.
O Culto ao Divino Espírito Santo, em São Lourenço do Sul adquiriu ainda, uma peculiaridade importante, pois reúne os munícipes, independentemente do seu credo religioso.




































