Comunidade Católica da Paróquia do Divino Espírito Santo de Jaguarão

Festa com 214 anos
País: Brasil
Região: Rio Grande do Sul
Local: Jaguarão
Morada: Praça Doutor Alcides Marques, 37 Centro
Telefone: 53 3261 1978
E-mail: hamiltoncenteno@hotmail.com
Ano da Fundação: 1812
Fundador: Dom José Caetano da Silva Coitinho(1812- cria a Freguesia do Divino Espirito Santo no Jaguarão); primeiro pároco: Joaquim Cardozo Brum; 1928- inaugurada a casa paroquial
Festa proposta por:
Nome: Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas/Maria Roselaine da Cunha Santos
E-mail: ihgpel@gmail.com

Entre batalhas, guerras, concessões e ocupações nasce o município de Jaguarão, primeiro povoamento da zona de fronteira Brasil/Uruguai.

Instalação da freguesia do Espírito Santo do Serrito – 1812-1814
Fôros de Vila do Espírito Santo no Serrito de Jaguarão – 1832; Elevada a Cidade – 1855.

Em 1791, os moradores das proximidades do Piratini, na fronteira isolada e distante dos centros de poder, pediram que fosse erguida uma capela. Em 1811, o bispo D. José Caetano da Silva Coitinho, cuja jurisdição eclesiástica se estendia por todo o sul do Brasil, propôs ao Príncipe Regente a divisão da freguesia de São Pedro do Rio Grande, com a formação de três novas freguesias. Em documento datado de 1815, o bispo acima referido descreve com detalhes o que encontrou ao chegar a estas regiões e em relação à igreja: “Achei a Igreja uma miserável barraca de palha com uma sineta enforcada à porta, mostrei o meu desgosto, especialmente, da falta do batistério, que mandei logo fazer à minha custa.” E sobre a população: “ A Freguesia toda tem Três mil almas seguras.”

A construção da atual Igreja Matriz do Divino Espírito Santo foi realizada de 1846 a 1875.

O primeiro padre foi Joaquim Cardoso Brum, nascido em São Pedro do Rio Grande, a 01 de abril de 1784, filho de Francisco Cardoso de Brum, natural da Ilha do Pico e de Francisca do Nascimento. O segundo padre foi João Themudo Cabral Diniz.  Ambos foram membros da Câmara Municipal da cidade instalada em 1833.

Na trajetória histórica e devocional do culto não foi possível identificar o ano em que a figura da Imperatriz ocupou um lugar na festa do “Divino” em Jaguarão .

A implantação do mastro, com a Bandeira do Divino em frente à igreja, acontece no primeiro dia da novena. A sua retirada é feita pelo casal festeiro, no fim da missa festiva, no domingo de Pentecostes.

Na mesma matriz eram batizados índios, escravos, brancos e soldados portugueses e espanhóis reuniam-se para rezar e oficializar a união matrimonial.

Registos de batismos e casamentos da Matriz do Divino Espírito Santo de Jaguarão.

 Livro 1 de  Batismos

 Livro aberto em 18/11/1813.

1 – Domiciana filha legitima de Faustino José Feijó, natural e batizado na Capella de N.S. dos Anjos e de Geralda Rosa Joaquina batizada na Capella do Povo Novo. Neta paterna de Miguel da Sª Ramos e de Anna Rita da Conceição e neta materna de Simão (Ajan) Cardoso e de Francisca Maria. Foram padrinhos Diogo Feliz Feijó e sua mulher Maria Faustina Furtado Feijó. Nasceu a nove de fevereiro, e para constar fiz este registo que assinarei.

                                                                                         O Vigário Joaquim Cardoso Brum

Livro 1 de Casamentos

António Gonçalves e Maria Bernarda de Assunção -1814 /fl 1

Albano de Souza Rabelo e Teodora Fagundes – 1814 / fl 1 e 2

António de Medeiros e Joaquina Ignácia – 1816 /fl 6 e 10

Alberto Barbosa e Comba Cardoso Brum – 1822/ fl 36

Rafael de Souza Neto e Bárbara Leonor da Silva – 1835/ fl 22

Somam-se mais de quatro mil fichas de pesquisa de Maria Coleta Couto

Dutra da Silveira e Alda Maria de Moraes Jaccottet

Acervo IHGPEL 

DIVINO ESPIRITO SANTO (a festa)

Na trajetória histórica e devocional do culto não foi possível identificar o ano em que a figura da Imperatriz ocupou  espaço na festa do “Divino” em Jaguarão.

No ano 1876, o imperador foi o padre Joaquim Lopes Rodrigues. A jovem imperatriz do ano de 1900, tornou-se irmã de caridade.

O jornal O Jaguarense, de 02 de maio de 1856, publica a seguinte nota:

 “A mesa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, desta cidade, resolveu celebrar a Festa do Divino Espírito Santo, padroeiro da Matriz, no dia 11 de maio, conforme se acha marcado, pela maneira seguinte: Haverá novenas, que começarão no dia 3, às 4 da tarde; Missa cantada com o Santíssimo Sacramento exposto; Sermão ao evangelho e procissão à tarde, sendo a última novena ao recolher da Procissão. (…) convidamos o público a adornar a frente das suas casas, como louvavelmente se costuma praticar, por onde passa a procissão. (…) Os anjos que houverem por devoção, podem apresentar-se na igreja na hora marcada ao irmão Tesoureiro, para serem distribuídos aos irmãos nos lugares próprios. (…) Os leilões começam no dia 9; Os fogos de artifício se queimarão impreterivelmente às 10 horas da noite do dia da festa, se o tempo permitir.”Ainda cita que haverá novena, leilão, doação de esmolas aos necessitados, ofertas de agradecimento e procissão, saindo da igreja e percorrendo as ruas: das Praças, do Comércio, Nova, das Flores, Boa Vista e da Palma, posteriormente recolhendo-se à igreja, onde será celebrada missa festiva”.

A Festa do Divino de 1870 aconteceu no dia 15 de novembro em virtude da ausência do pároco da cidade. O festeiro, senhor Major Faustino João Corrêa, convidou o padre Joaquim Lopes Rodrigues para os atos religiosos e presenteou a cidade com um grandioso espetáculo de fogos de artifício.

Foram escolhidos para imperador do ano de 1871 o padre Joaquim Lopes Rodrigues; Guarda da Coroa – Theotónio de Bittencourt Pereira e Mello; Capitão do Mastro – Israel Francisco Raymundo; Alferes da Bandeira – Laurindo António Vieira; Pajem do Estoque, António Furtado de Souza.

Mordomos: Joaquim Benvindo Gonçalves, José Maria de Miranda,Patrício da Cunha Barbosa, João da Silva Vieira Braga, Bonifácio Cardoso, Isidro Leandro, Serafim Marques de Andrade,Liadório Machado Marques Filho, Serafim Pedro da Silva,José Maria Gonçalves, coronel Manoel Amaro Barbosa, Capitão António Bernardo Vargas.

Em 1875, o Pároco de forma pública convida os seus paroquianos:

“A solenização da festa do Divino Espírito Santo, padroeiro desta cidade não tem podido ser feita desde 1871, por causa das obras da Igreja Matriz. Hoje, elas terão seu termo, temos fé robusta na divina providência e no concurso, sempre franco dos nossos bons paroquianos, que auxiliar-nos-ão nesse empenho  de maneira que, a 16 de maio, possamos solenizar o grande dia em que o Espírito Santo baixou à terra a iluminar a humanidade.”

 O Império do Orago de 1876 foi eleito com Imperador; Ecónomo (pagem do estoque), Guarda da Coroa, Capitão do Mastro, Alferes da Bandeira e ainda onze mordomos.

Em 1876, o inverno rigoroso e outros interesses transferiram as festividades para muito além da data correta – 25 de dezembro. Nestes dias as obras do sangradouro da Mirim (canal lacustre) haviam ficado prontas e o vapor, trazendo convidados de Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas, com o Vigário Dr. Canabarro a ser o convidado de honra, algo que viria a ser o ponto alto da festa.

Nos anos de 1900, a cidade de Jaguarão inteira envolvia-se nas atividades de preparação da festa do Divino Espírito Santo. O seu estandarte era conduzido em procissão de porta em porta, dando aos moradores a oportunidade de beijarem a bela imagem da pomba e de oferecerem a sua contribuição para aumentar o brilho das festividades. Uma jovem chamada Cecy Cony, filha de um capitão do exército e nascida em 1900, na cidade de Jaguarão, agradecia por viver  numa cidade protegida pelo Espírito Santo, quando foi surpreendida por uma notícia que muito a entristeceu. No quartel do Exército, localizado no centro da cidade, o coronel comandante mandou um sargento avisar que a procissão devia seguir adiante, pois lá não entraria o estandarte do Espírito Santo.

Esse fato causou uma forte impressão em Cecy. (…)” Os pobres soldados ficaram privados da oportunidade de receber a bênção do Espírito Santo e dar a sua modesta contribuição para a festa. Muito pior, aquela atitude era um insulto a Deus!”

Saiu então às ruas pedindo aos soldados e demais militares moedas e falando da sua tristeza pelo facto do coronel não ter permitido que o estandarte do Espírito Santo entrasse no quartel. Na véspera da festa, ela teve a alegria de ler na lista de contribuições: “Um grupo de soldados – 50 réis”. Na cidade, ninguém soube da participação de Cecy nessa oferenda.

A jovem devota do Divino Espírito Santo fez votos perpétuos de pobreza, obediência e castidade. Em fevereiro de 1933 tornou-se a irmã Maria Antónia.

No ano de 2002, a comunidade jaguarense teve a oportunidade de presenciar uma das mais belas festas de seu Padroeiro – o Divino Espírito Santo. As comemorações tiveram início no dia 25 de maio, com uma bela apresentação da Banda de Música do Colégio Estadual Carlos Alberto Ribas. Imediatamente, houve a bênção do mastro no Largo das Bandeiras, realizada pelo Pe. Leduvino Lazzarotto. Através de decreto municipal, o mastro da bandeira Municipal foi instituído como Mastro Oficial do Divino Espírito Santo, durante as festividades alusivas ao Padroeiro. No dia 27, um domingo, a Folia do Divino visitou a residência dos ex-festeiros, prestando-lhes homenagem.

A Folia do Divino é constituída por um grupo de músicos e pessoas da comunidade que tocam e entoam canções referentes ao Espírito Santo. Os festeiros de 2001, Moacir e Nilciléia Bretanha, os juízes por devoção, Cláudio Renato e Luciane dos Santos, e a Imperatriz, Gabriela Mano Radünz, protagonizaram, abençoados pelo Espírito Santo, uma festa inesquecível para os jaguarenses. O dia 03 de junho marcou o encerramento das festividades. Na tarde de domingo, apesar do tempo instável, a quermesse comunitária programada correu normalmente, culminando com a apresentação da Invernada Artística do C.T.G. Rincão da Fronteira, dançando o “Pau de Fita”, dança típica da Festa do Divino. Para as pessoas que passeavam no centro da cidade ou que participavam na festa, a impressão que dava era a de que finalmente se resgatara um pouco da história do município, pois, em tempos idos, a festa do padroeiro sempre tinha sido um acontecimento muito comemorado por toda a comunidade. Desde as 18h30, a Banda de Música do 12º RC Mec, especialmente convidada para a ocasião, acompanhou a Imperatriz e a sua corte, os festeiros e juízes por devoção até à Igreja, onde foi celebrada a Missa Solene, oficializada por D. Jayme Chemello, Bispo Diocesano de Pelotas. Ao chegarem à Igreja, encontraram-na repleta de fiéis e ricamente iluminada. A entrada da Imperatriz foi um acontecimento único, pois ao som de “Pompa e Circunstância”, não havia quem não manifestasse a sua emoção e admiração.

Para o padre Hamilton Centeno, à frente da igreja desde 2010, a Festa é da cidade e não da Paróquia; é um bem devocional, embora diretamente ligada a Diocese.

 Nas últimas décadas com as mudanças económicas e sociais pelas quais passaram as nações do mundo, os festejos do Divino acontecem graças a um número de abnegados cidadãos que doam os preparativos; a Igreja Matriz trabalha com projetos envolvendo os jovens de todo o município na celebração, levando-os a valorizar através da fé e da informação o legado cultural de seus antepassados.

 https://matrizdivinoespiritosantojaguarao.blogspot.com.br


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