As localidades de Cachoeira do Rio Tavares, Porto do Rio Tavares, Fazenda do Rio Tavares e Cruz do Rio Tavares, que compreendem a região do Rio Tavares têm as suas origens num pequeno núcleo rural desenvolvido junto à Igreja de São Sebastião de Mato de Dentro ou São Sebastião do Rio Tavares. Trata-se de um dos primeiros povoados criados a partir do vinda de famílias açorianas chegadas no século XVIII. O topónimo Tavares é oriundo da família de Miguel Tavares, cujo nome batizou o rio e toda a área em seu redor.
Na localidade da Cachoeira do Rio Tavares é que se realiza, a Festa do Espírito Santo na Capela Senhor Bom Jesus, criada a 6 de agosto de 1995 e pertencente à Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, do bairro Saco dos Limões.
A primeira festa realizou-se em junho de 1995, por iniciativa do pároco Pe. Dr. Vilmar Adelino Vicente, que recebeu em doação um conjunto de trajes imperiais da Corte do Divino e motivou a nova “Comunidade do Senhor Bom Jesus” a celebrar o Espírito Santo.
O primeiro Casal Imperador foi Darei Rodrigues Falcão e a sua mulher dona Zilda Falcão, que, com ajuda dos amigos e vizinhos e a orientação do próprio Padre Vilmar, organizaram a celebração com ritos e símbolos espelhando-se nos modelos de Festa do Divino que acontecia na vizinhança e foram buscar no Campeche e no Ribeirão da Ilha os rituais tradicionais ali existentes.
Deste modo, no ano de 1995 implantava-se a Festa do Divino Espírito Santo na Cachoeira do Rio Tavares, respeitando os costumes e as tradições presentes nas demais festividades da Ilha e adicionando elementos do movimento carismático. Segue os mesmos passos. Novenas, missas, cortejo, coroação, arremates de “massas de promessa”, almoço festivo, barraquinhas, bingos, comidas típicas, música ao vivo e apresentações folclóricas.
A festa é precedida pela realização de novenas na casa do Festeiro ou do Imperador e dos Juízes. Ao todo são convidados 12 Juízes que, com o casal Imperador, são responsáveis pela festa naquele ano.
Depois das novenas, tem lugar o arremate de massas de promessas ofertadas em pagamento de uma graça alcançada ou por um voto feito ao Divino. As novenas e o périplo da Bandeira peditória começam um mês antes da festa. Duas Bandeiras percorrem a região recolhendo prendas e doações levadas por “bandereiras”, grupo formado por três mulheres da Comunidade do Senhor Bom Jesus, sendo que uma delas toca o tambor anunciando a visita. Todos os donativos angariados e os lucros da festa são aplicados em obras de manutenção e melhoramentos da Capela Senhor Bom Jesus.
No domingo antes da festa realiza-se a Missa de apresentação do Casal Imperador e Juízes e, nos dias seguintes, na Capela, terão lugar as novenas do Divino, sendo dedicadas aos sete dons do Espírito Santo.
No sábado e no domingo o ritual é o mesmo com a procissão do cortejo imperial, missa solene festiva, coroação do Imperador menino, almoço, bingos, barraquinhas e foguetório.
No domingo, a Cantoria do Divino do “Zenaldo”, da Costeira do Pirajubaé, conduz o ritual cantando passo a passo todos os anos os momentos da celebração, desde o cortejo até o anúncio do Casal Imperador que fará a festa no ano seguinte, eleito por sorteio.
A entrega da Coroa e do Cetro ao novo Casal Imperial reafirma o compromisso perante a comunidade de fazer acontecer a Festa do Divino Espírito Santo no ano seguinte.






