Irmandade do Espírito Santo da Criação Velha

País: Portugal
Região: Açores
Local: Pico
Concelho: Madalena
Freguesia: Crianção Velha
Morada: Estrada Regional, n. 44 Criação Velha 9950 - Madalena Pico
Festa proposta por:
Nome: José Gonçalves Sousa Silva

As festas em honra e louvor do Divino Espírito Santo dominam esta altura do ano, em toda a ilha, atingindo o seu epicentro no Domingo de Pentecostes. Nesta freguesia, acontecem no Domingo e Segunda-feira.
Estas festas, para além da parte litúrgica, onde sobressaem as celebrações da Eucaristia e a organização de procissões e cortejos, constam geralmente da distribuição e da partilha da carne e do pão, entre todos e, de modo muito especial, junto dos mais pobres. No entanto, este sentido de partilha tem um significado ainda mais abrangente e a ela estão ligados rituais e costumes ancestrais geralmente relacionados com promessas feitas pelos antepassados em momentos de enorme angústia e aflição, em virtude de crises sísmicas, catastróficas, acontecidas na altura, durante as quais o povo solicitava o auxílio divino para acalmar as correntes de lava que arrasavam a ilha, destruindo habitações, povoados e culturas.
Na realidade, os festejos em honra e louvor do Divino Espírito Santo constituem, na ilha montanha, uma genuína tradição muito provavelmente trazida pelos primeiros povoadores e implementada com um cunho religioso e cultural muito forte entre a actual população, mantendo-se, ainda hoje, com rituais e celebrações muito semelhantes às dos tempos antigos, com destaque para um inusitado e interessante cerimonial em que os “imperadores” levam, em procissão, a coroa, até à igreja, com a qual são “coroados” no fim da missa e ainda para a “função” que se celebra no salão da Casa do Povo, e que consiste, fundamentalmente, na participação dos convidados do Mordomo, num almoço em que praticamente toda a população da freguesia toma parte, sentando-se à mesa a saborear as típicas e tradicionais sopas do Senhor Espírito Santo.
Mas o que mais revela este sentido de partilha mútua e de comunhão recíproca das festas do Espírito Santo nesta freguesia é o facto de se distribuir por todos os habitantes e também pelos forasteiros o pão e as rosquilhas.
Esta distribuição obedece a um calendário rígido, histórico e imutável, permitindo que todas as pessoas presentes possam receber o pão ou a rosquilha.


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