Irmandade do Divino Espírito Santo de Santo Antão

Festa com 136 anos
País: Portugal
Região: Açores
Local: São Jorge
Concelho: Calheta (S. Jorge)
Freguesia: Santo Antão
Morada: Largo de Santo Antão 9875 - Santo Antão Topo
Telefone: 964869632
E-mail: adg@cm-calheta.pt
Ano da Fundação: 1885
Festa proposta por:
Nome: Municipio de Calheta
E-mail: adg@cm-calheta.pt

“O início das comemorações das festas do Divino Espírito Santo é uma das razões fundamentais que levou à criação da Freguesia de Santo Antão. Sabe-se que a teimosia de uns quererem trazer a coroa ao então curato de Santo Antão e outros não quererem, originou situações gravosas entre as populações.

Foi então que em 1884, João Silveira Leonardo e João Bettencourt de Noronha foram à ilha Terceira buscar a sua própria coroa, hoje dita “coroa velha”. Essa coroação contou com as mais fantásticas peripécias, desde confrontos físicos ao desabamento do sobrado em casa do mordomo.” (a)
A rivalidade entre as Freguesias de Santo Antão e Topo encabeçada por João Silveira Leonardo e entre outros, que demonstraram um enorme espírito de fé e determinação, fez com que se procedesse à ampliação da igreja, à construção do cemitério, à fundação da Irmandade do Divino Espírito Santo, à construção da casa desta organização e à construção do império.

A Freguesia de Santo Antão, no que toca aos rituais do Divino, tem algumas particularidades diferentes das outras freguesias e que subsistem até aos dias de hoje.
Determinam os estatutos desta Irmandade, escritos a 10 de Agosto de 1884, que das cerimónias do Espírito Santo e da Trindade “se ocupassem 8 irmandades, havendo em cada uma delas o “cabeça” ou mordomo, irmãos e ajudantes. O “cabeça” responde pelos festejos, os irmãos colaboram na organização e na labuta e levam as varas na coroação de Domingo e os ajudantes colaboram naquilo que lhes é solicitado” (b)
Durante a semana, que antecede a festa, é rezado, no império, o terço em honra do Divino. A reza é feita, sobretudo, pelas mulheres que se juntam na casa do Divino Espírito Santo durante toda a semana, para cozerem em fornos de lenha o pão para as esmolas e para as sopas de Domingo, os doces, que são compostos por esquecidos, espécies, suspiros, pão-de-ló, rosquilhas brancas e caramelos, bolos de véspera e coscorões que são distribuídos no bodo de leite de segunda-feira de Pentecostes, não esquecendo o principal que é a preparação da carne e a confeção das sopas no Domingo, por sinal muito apreciadas.

Os referidos doces têm duas finalidades, sendo uma delas para oferta aos “Irmãos” após as sopas de Domingo, pois cada “irmão” recebe das mãos dos cavaleiros um prato de doces e a outra é para oferecer nas noites de sábado, Domingo e Segunda às filarmónicas e aos presentes, aquando das coroações realizadas nesses dias. Esta Freguesia é a única da ilha com a particularidade, de fazer nos dias de Pentecostes e Trindade quatro coroações, sendo uma no sábado à noite, duas no Domingo, uma após a missa e a outra à noite, e, por fim, uma na segunda-feira à tarde, após o bodo de leite e as sopas.
Estas coroações são sempre acompanhadas pelos cavaleiros, homens ornamentados com vistosas insígnias, levando na mão uma vara. Importa ainda salientar que, no que diz respeito às festividades do Espírito Santo, São Jorge é a única ilha açoriana que apresenta a figura secular do cavaleiro do Espírito Santo.
“Coroam-se em regra crianças ou adolescentes, escolhidos preferencialmente entre os filhos dos mordomos. A coroação é acompanhada por duas filarmónicas, que substituem a antiga folia do tambor e do cantador, que outrora se fazia.” (b)
Seguem-se as sopas do Divino Espírito Santo e importa referir que apenas nas freguesias de Santo Antão e Topo o arroz doce é substituído pela “massa da noite” e rosquilhas fervidas. O nome curioso de “massa da noite” advém do facto desta ficar a levedar toda a noite, e ser cozida apenas no dia seguinte.
Á noite, realiza-se o tradicional arraial abrilhantado pelas filarmónicas da Freguesia, durante o qual são servidos a todos os presentes, bolo, queijo e vinho.
Na segunda-feira de Pentecostes, realiza-se, em Santo Antão, a festa do Bodo de Leite, conhecido por todo o arquipélago, pelas suas características singulares e visitado por pessoas de toda a ilha, bem como de fora desta.
Os carros alegóricos abrem o tradicional cortejo, com expressivo número de assuntos, que são variados e originais, evocando temas como a crise e a política em tom de brincadeira e são acompanhados por duas bandas de música. Segue-se a procissão com a bênção do gado e dos bolos e coscorões para serem distribuídos pela população. “Os jovens de mangas arregaçadas ordenham as vacas para copos que lhes levam e de que bebem o saboroso leite”. Leite a jorros oferecido para o júbilo de quem cumpre uma promessa, se alivia de um pecado ou com a pura satisfação de dar com largueza. (b)
“Os pastores escolhem as melhores vacas, que não são ordenhadas de manhã para se apresentarem no bodo com os úberes literalmente a abarrotar”. (c)
“E pela rua fora cestas de fatias de massa sovada, jarros cheios de vinho na mesma e indiscriminada e farta distribuição”. (a)
Recentemente foi acrescentado a esta festa a oferta das sopas a todos os presentes, após o bodo-de-leite e até ao fim da tarde, bem como, outras atividades profanas, como desfile de motards, gincana de motas, tourada e baile.

(a) Leonardo, Alberto Silveira (Major USMC)
(b) Guerreiro, Manuel Viegas, A Ilha de São Jorge, Uma Monografia (textos etnográficos), p.122 e 123 (2012)
(c) Leal, João, op.cit., p 213


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