Império dos Irmãos do Divino Espírito Santo da Praia do Norte

País: Portugal
Região: Açores
Local: Faial
Concelho: Horta
Freguesia: Praia do Norte
Morada: Estrada Regional, S/N, Praia do Norte, 9900-473 Horta
Festa proposta por:
Nome: Império dos Irmãos do Divino Espírito Santo da Praia do Norte

O Império dos Irmãos do Divino Espírito Santo da Praia do Norte foi criado pela população da freguesia com o objetivo de celebrar as festas do Divino Espírito Santo, como forma de agradecer a proteção divina dos tremores de terra e partilhar fraternalmente as “Sopas do Espírito Santo”. O primeiro império desta paróquia foi destruído pelo Vulcão do Cabeço Fogo, assim como toda a freguesia.

Quando foi concedido o Alvará Régio para a restauração da freguesia em 1839, já estava construído outro império que se localizava na rua da Arramada, tendo a arquitetura tradicional dos impérios.

A freguesia cresceu e sentiu a necessidade de construir uma estrutura maior. O novo Império foi inaugurado em 1956 e tinha dois pisos. Todavia, foi destruído pelo Vulcão dos Capelinhos, dois anos e meio após a sua inauguração. Erguido no mesmo local onde está edificado o actual império que serve a população, foi sofrendo alguns melhoramentos com as diferentes direções eleitas, consoante as necessidades da freguesia.

Uma caraterística singular deste império é o facto dos seus estatutos possibilitarem a integração de todas as pessoas que residem na freguesia, oferecendo a possibilidade de escolherem pertencer à Irmandade do Divino Espírito Santo, desde que vivam em comunhão com a igreja (casados pela igreja). É o único império da freguesia e todas as pessoas são convidadas a pertencerem à irmandade  e a participar na confeção de sopas e rosquilhas para distribuírem a quem desejarem.

A direção do império é constituída por 6 elementos, que correspondem a 6 famílias, as quais são eleitas por sufrágio universal, tendo direito a um boletim de voto cada casa da freguesia, que designa seis pessoas para comporem a direção.

Se o intuito inicial do império era apenas oferecer as sopas à população em louvor do Divino, rapidamente passou a ser utilizado para outras finalidades, nomeadamente  no apoio à saúde da população. Sempre que  o médico que se deslocava à freguesia dava as consultas no edifício do império, pelo que foi adaptada e construída uma sala para o efeito, conhecida pela “sala do doutor”. Foi também utilizado para a prestação de serviços da Casa do Povo, com todas as suas valências.

Além disso, o império sempre foi utilizado para a realização de festas particulares dos irmãos da freguesia, celebrações de casamento, bodas, acolhimento de escuteiros, reuniões de diferentes tipos , etc. Serviu para a apresentação de actividades culturais, como Ranchos de Natal, projecção de filmes, actividades da Semana Cultural e para formação através de cursos de diferentes áreas, desde a costura até à música.

Terço do Divino Espírito Santo(*)

O terço do Divino Espírito Santo é uma tradição do império da Praia do Norte, que se tem mantido ao longo do tempo e que era rezado pela população na casa onde se encontrava a coroa da irmandade. Este terço era rezado especificamente ao Divino Espírito Santo e, apesar de ter muitas semelhanças com os terços de outras irmandades ou impérios de outras freguesias, é típico da Praia do Norte e do seu império. A sua origem remonta à criação da própria freguesia e tem acompanhado a sua evolução e a do culto do Espírito Santo. Tentou-se encontrar a versão mais primitiva e fidedigna do terço que foi certificada pela população mais antiga da freguesia e pelo sacerdote mais idoso do Faial.

Foliões(**)

Os foliões entoam cânticos, quando acompanham a coroa. Estes dividem-se nos cânticos de busca da coroa (entrar na casa do imperador para ir buscar a coroa e levá-la à igreja) e de acompanhamento no percurso entre a casa do imperador e a igreja. Posteriormente, após o fim da missa e respectiva coroação, os foliões cantam novamente à saída da igreja, no percurso até ao império e, finalmente, na apresentação das esmolas e sopas que agradecem cantando.

(*) – Terço do Divino Espírito Santo rezado na freguesia da Praia do Norte – Ilha do Faial, Açores
I – Terço
1º Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
2º  Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
3º Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
4º Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.

Praia do Norte: Um exemplo da História, Tradição e Cultura da Ruralidade Açoriana|73

5º Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
6º  Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
7º Adoremos com afetos de alma ao Espírito Santo Divino;
Do céu desceu sobre nós com o auxílio do Amor Divino.
Glória ao Pai que nos criou, glória ao Filho que nos redimiu;
Glória ao Divino Espírito Santo, que na sua graça nos concebeu.

Nota: Este conjunto é repetido cinco vezes, se o terço for rezado. Caso seja cantado, repete-se também, cinco vezes, mas o conjunto é apenas formado por três versos e o Glória.

II – ORAÇÃO DO SENHOR ESPÍRITO SANTO

Ó Senhor Espírito Santo, nós rogamos com clamor;
Mandai à primitiva terra que não faça mais tremores.
Vós sois Pai de Misericórdia, livrai-nos de todo o mal;
Não castigais com tremores toda a nossa cristandade.
Não desprezais a fé grande, com que nós recomendamos;
Fazei como o Pai Divino, não que nós o mereçamos.
A Virgem mais São José, vão ambos para as montanhas;
A Virgem vai muito contente, porque leva Jesus nas entranhas.
Jesus quando quis morrer, deixou no seu testamento
Que adorassem nos altares ao Divino Sacramento.
Sacramento Divinado, sangue do manso Cordeiro:
Creio que estais no sacrário como no céu verdadeiro.
E o bom dar por dar espera; O bom dar a caridade.
Batam às portas do céu e batam que elas se abrirão;
As chaves têm-nas São Pedro, a licença São João.
São João respondeu, entrai bem aventurados;
Candeias tendes na Glória, nós seremos visitados,
Candeias tendes na Glória, Deus me a deu, pois ela é minha.
Ó Virgem nossa Senhora; Ó que tão alta Rainha.
Cordeirinho que sois bendito, que a todo o mundo dá luz;
O Vosso Corpo foi medido pelas costas de uma cruz.
Ó meu extremo da luz!
Ó meu Deus, quem dera cravar três cravinhos na memória;
Quem chorasse toda a vida para ganhar a Santa Glória.
Valha-me a Virgem Maria, valha-me a Virgem Sagrada;
Valha-me o céu resplendor, valha-me o Anjo da Guarda.
Filho para que nasceste?
Para ser crucificado!
Quando ao mundo vieste, logo foste iluminado;
Pela lua mais as estrelas e todas vão amarguradas.
Os peitos que leite davam, eram da Virgem Maria;
Os panos que cobriam eram de fina lã.
Desceram do céu à terra;
Quinta-feira da Ascensão.
E só por ver os Santos passos:
Lá naquela santidão e no meio daquele pendão, está um cruzeiro armado.
Ele é aquele q ue ali está; é Jesus Crucificado.
Quem esta oração souber, no ano a deve continuar;
Neste mundo será rei e no outro santo coroado.
A Virgem me aparecerá três dias antes que eu morra.
Ela me virá dizer: confessa os teus pecados que tens para confessar
que Eu sou a Virgem Maria que te venho lembrar.
Se assim fizeres a tua alma será digna e irá ter a bom lugar.

III PAI NOSSOS AO DIVINO ESPÍRITO SANTO

. Em louvor do Divino Espírito Santo para que nos dê os seus auxílios, nesta e na outra vida;
. Pelas almas dos defuntos dos donos desta casa;
. Pelas almas dos defuntos das pessoas que aqui estão presentes;
. Pelas almas do Purgatório em geral;
. Por todos os que estão em pecado mortal, para que Nosso Senhor  os converta para sua Divina Graça;
. Por todos os que estão em agonia de morte, para que Nosso Senhor lhes dê uma hora santa para a salvação da sua alma;
. Por todos os que estão sobre as águas salgadas, para que nosso Senhor os deixe chegar ao porto de destino;
. Em louvor do Divino Espírito Santo, para que nos livre do fogo e lodo nesta e na outra vida;
. A São Sebastião, para que nos livre da fome, peste, guerra e outras doenças contagiosas;
. A São José, para que nós obtenhamos a virtude da pureza e nos dê uma boa morte;
. A São João Batista, para que seja o nosso advogado na hora da nossa morte;
. A São Pedro, que é o chaveiro do céu para que nos abra as portas do Céu, quando nós deste mundo formos;
. Ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria para nos darem um bom coração;
.Pela paz do mundo, principalmente na nossa Pátria;
. Ao nosso Anjo da Guarda.

IV – SAVÉ RAINHA

. Avé Maria a Nossa Senhora das Dores, por todos os eus devotos e por todos aqueles que não o são para que o sejam;
. Avé Maria a Nossa Senhora do Rosário, por todos os seus devotos e por todos aqueles que não o são para que o sejam;
. Avé Maria a Santo António, para nos livrar das tentações do demónio, assim como livrou seu pai da morte.

V – PROSTRAI-VOS POR TERRA

I
Prostrai-vos por terra
Filhos do Senhor
Que nos vem buscar
Com todo o Amor
76 | Praia do Norte: Um exemplo da História, Tradição e Cultura da Ruralidade Açoriana
II
Ó Anjos do Céu
Vinde acompanhar
O Nosso Jesus
Que está no altar
III
Creio, ó meu Deus
Que estais colocado
Nesse Sacramento
Do Verbo Humanado
IV
Exulta alma minha
Louva o Teu Amado
Reverendo te adoro
No Pão Consagrado
V
Recebe, pois, alma
Com toda a ternura
Esse Pão dos Anjos
Que é toda a doçura
VI
Alegre-se a tua alma
Que vais receber
Dentro em ti mesmo
Quem te deu o ser
VII
Respira a minha alma
De amor abrasado
Depois de estar Contigo
Deus Sacramentado
VIII
Lançai-nos a benção
Deus Sacramentado
Que por essa graça
Sejais bem Louvado
IX
Nós já recebemos
A Vossa Benção
Ficai meu Jesus
No meu coração

Coro
Louvado sejais
Deus Sacramentado
Jesus escondido
Senhor adorado
VI ALVA POMBA

I
Alva Pomba que meiga apareceste
Ao Messias no Rio Jordão,
Estendei Vossas asas celestes
Sobre os povos de alma ou cristão.
II
Quem aos pobres seus braços estende,
Quem lhes veste os seus ombros tão nus,
Achará que tudo isto só tende
Para a Glória e Honra da Cruz.
III
Semeai o vosso ouro entre os pobres
A colheita no céu a fareis!
O triunfo da força tão nobre
Só no seio de Deus achareis.
IV
Vinde irmãos, vinde todos contritos
Com esmola a Deus ofertar
Vinde ver e consolar os aflitos
Fome e sede aos pobres matar
V
Ofertai as mais belas ofertas
Ofertai-as em nome de Deus;
Colherás lá um dia mil prendas
Quando entrares no reino dos céus.
VI
Tragam rosas e ramos de louro
Quem esmola melhor não tiver
Assim mesmo se oferece o tesouro
P’ra ganhar a benção de esmoler

Coro

Vinde, oh! Vinde, entre nuvens de glória.
Entre os anjos e benção de amor,
Entre os cânticos de eterna vitória
Que os Querubins Vos elevam, Senhor. (bis)

Oferecimento

Estas orações que temos rezado e não temos oferecido, oferecemos e entregamos aos setes dons do Divino Espírito Santo, já que Ele veio ao mundo dar luz às nossas almas e aos nossos corpos para que não sejam presos, nem mortos, nem mal julgados e nem do inimigo tentados.
Ó Divino Espírito Santo com o auxílio da Sua Graça nos deite a Sua Benção por cima de todos nós.

(**) Cânticos dos Foliões

Os cânticos que os foliões entoam no acompanhamento da coroa dizem respeito a diversos momentos: o entrar na casa do imperador para ir buscar a coroa para a levar para a igreja “Busca de Coroa” e os que se cantam no percurso entre a casa do imperador e a igreja. Após o fim da missa e da coroação, seguem-se os cânticos alusivos à saída da igreja e ao percurso entre esta e o império e, no fim, os referentes  à apresentação das esmolas e agradecimento das sopas.
Os versos abaixo expostos apresentam ligeiras nuances em relação àqueles utilizados por outros impérios ou irmandades, pelo que são uma marca distintiva desta freguesia.

EM BUSCA DA COROA

Quem à igreja vai coroar,
É o Rei da Glória,
Meu Altíssimo Senhor,
Entrai para dentro,
Com grande descanso,
Achareis a coroa,
Do Divino Espírito Santo.
Estejamos, hoje, com grande amor,
Diante da coroa de Nosso Senhor.
Festejamos com grande moderno,
A real coroa do Pai Eterno.

A CAMINHO DA IGREJA

I
Estamos à vossa espera
Hoje com grande alegria
Espera da santa coroa
Para nossa companhia

II
Ela já está no campo
A nossa coroa real
Ou se é o Rei da Glória
É o Rei de Portugal
III
Divino Espírito Santo
Porque Ele é alegria
Já desceu do seu altar
Vem em nossa companhia
IV
Porque nós vamos andando
Por este caminho chão
Encontrei Nossa Senhora
Com um raminho de louro na mão
V
Eu pedi-Lhe um galhinho
Ela me disse que não
Eu tornei a pedir-lhe
Ela me deu um cordão
Que me dava sete voltas
Ao redor do coração
VI
Bem me dera Santo António
Desatai-me este cordão
VII
Vamos ver a fonte nova
Que se fez ao pé da cruz
Sangue do manso cordeiro
Que se chama Bom Jesus
VIII
Os sinos estão a tocar
Hoje no meio do campo
Estão à espera da vinda
Do Divino Espírito Santo
IX
Ó que adro tão cheiroso
Vem de dentro para fora
Deve ser um milagre
Da Virgem Nossa Senhora
X
Deus te salve Casa Santa
É de Deus acompanhada
Onde estão os cálices bentos
Mais a hóstia consagrada
À SAÍDA DA IGREJA

Sacramentos divinados
Sangue do manso cordeiro
Como no céu verdadeiro
Estava Virgem Maria
Com o seu filhinho nos braços
No seu peito requeria
Divino Espírito Santo
Vendo sair da igreja
Deu uma volta ao adro
Quem não o viu que o veja

DA IGREJA PARA O IMPÉRIO

I
Coroado e bem coroado
Meu nobre imperador
Ele traz suas mãos
Meu Altíssimo Senhor
II
Traz ele um lindo passeio
Meu nobre imperador
Metido naquelas armas
Meu Altíssimo Senhor
III
Meu nobre imperador
Vem brilhando neste campo
Com o seu pajem a par de si
Guardando Espírito Santo
IV
Ó que pombinha é aquela
Do céu parece voar
É o Divino Espírito Santo
Que à igreja foi coroar.
V
Ó que linda irmandade
Vem brilhando neste campo
Acompanhando a coroa
Do Divino Espírito Santo
VI
Deve vir luzes acesas
Postas de canto a canto
Alumiando a coroa
Do Divino Espírito Santo

VII
É aquele que ali vem
Deitando a bênção ao mundo
Divino Espírito Santo
Com liberdade de tudo
VIII
Porque nós vamos chegando
À frente do seu altar
O Divino Espírito Santo
É ali que vai ficar
IX
Recolhei-vos, recolhei-vos
Tirai-vos do ar do campo
Já subiu ao seu altar
O Divino Espírito Santo

CÂNTICOS DAS MESAS

I
Belas sopas nos deram, oh
Belas sopas que nos deram,
Por certo são bem gostosas
As nossas imperatrizes, oh
E as nossas imperatrizes
São como as folhas de rosa
São como folhas de rosas, oh, oh
II
Estas mesas estão bem postas
Postas no meio de um campo
Estão postas em bom louvor
Do Divino Espírito Santo
Estas mesas são de pau
E as toalhas são de linho
E graças a Deus para sempre
E não nos falta pão, carne e vinho.
E não nos falta pão, carne e vinho
Vai unir todo o amor.
E sejam do amor de Deus
E meu nobre imperador
E sejam aceites na glória
Diante do meu Senhor
III
Ramos de alecrim
Ó meu Deus acharei.
Nós somos ingratos
Ingratos pecadores:
Diante de Deus
Que dê perdão nós todos.

 

FIM DO CANTO DAS MESAS

Meu nobre imperador
Já podeis estar descansado
Já cumpriu a sua promessa
No céu lhe seja apresentado.

FIM DAS SOPAS

O frasco ainda tem vinho (bis) oh oh
Que eu o bem vejo em pé
O vinho é para quem canta (bis) oh oh
Quem não canta fica à ré
Quem não canta fica à ré (bis) oh oh
No frasco tem ser o vinho
Pois basta ser o vinho (bis) oh oh
Que serve a Nosso Senhor
Que serve a Nosso Senhor (bis) oh oh
É nado da cepa torta
Que a uns faz perder o tino (bis) oh oh
E a outros errar a porta
E a outros errar a porta (bis) oh oh
No frasco tem boa cor
Quem deste vinho bebe à noite (bis) oh oh
Não precisa cobertor oh oh

ESMOLAS

Óh, vão ser dadas esmolas
Aqui nos ares do campo
São dadas em nome de Deus
E do Divino Espírito Santo
Óh, vão ser dadas esmolas
Pela mão do nosso Imperador
Que paga a sua promessa
Aquele divino Senhor


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