Irmandade do Espírito Santo do Império de Santo Amaro de São Roque

Festa com 101 anos
País: Portugal
Região: Açores
Local: Pico
Concelho: S. R. do Pico
Freguesia: Santo Amaro
Morada: Largo Vigário Santos Pereira da Terra, Santo Amaro, 9940-192 São Roque
Ano da Fundação: 1925
Festa proposta por:
Nome: Arminda Maria Matos Gomes de Simas
E-mail: arminda.mm.simas@azores.gov.pt

A Irmandade do Espírito Santo da freguesia de Santo Amaro, localiza-se na freguesia de Santo Amaro, concelho de São Roque, Ilha do Pico, Açores.

Trata-se de uma Irmandade que começou por ser ligada à igreja, pelo que não existem quaisquer registos que nos forneçam informações sobre a data da sua criação e dos nomes dos seus fundadores. A data de construção da capela remonta ao ano de 1925 e encontra-se gravada em pedra, por cima da porta. No entanto, a sua fundação foi muito anterior, segundo afirmam algumas das pessoas mais idosas da freguesia, que a situam na altura da erupção vulcânica que deu origem ao “Mistério da Prainha”.

Esta capela está localizada no Largo Vigário Santos Pereira da Terra, anteriormente chamado Largo da Igreja, onde se encontram parte das forças vivas da freguesia: Igreja, Salão Paroquial, Centro Paroquial, Escola Primária e Filarmónica.

Hoje, a gestão e utilização desta capela é totalmente autónoma da Igreja.

No dia 3 de abril de 1998, foi criada pelos senhores Serafino Machado, José Honorato de Melo Pereira, João José de Ávila, Jaime António Soares de Matos, Luís Manuel Machado Morais, Luís Morais, António Francisco de Morais, João Paulo de Morais Simas, Amaro Soares de Melo, José Dias de Melo Joaquim Vieira das Neves, Hélio Morais de Simas e Amaro José da Silveira, uma associação sem fins lucrativos, com estatutos próprios, com a denominação de “Irmandade do Espírito Santo da Freguesia de Santo Amaro”.

Nesta freguesia, celebrava-se o domingo do Espírito Santo, segunda-feira, terça-feira e domingo da Trindade. Hoje, só não se celebra a terça-feira, por falta de irmãos.

As festas do Espírito Santo são vividas pelo povo desta freguesia com grande tradição e muita devoção. Estas, ao longo dos anos, tem sofrido algumas transformações, tanto a nível de preparação, como da motivação para as mesmas. Antigamente, revestiam-se de um carácter mais festivo.

É verdade que alguns jovens já não compreendem a alma arcaica dos seus antepassados e que algumas das características mais peculiares e de grande calidez humana se têm vindo a perder, como é o caso dos foliões que, progressivamente foram substituídos pelas filarmónicas, porém, não é menos verdadeiro que o culto do “Espírito Santo” continua vivo, dinâmico e místico.

Estas festas têm origem na grande devoção das nossas gentes que, em horas de aflição, imploravam ao Divino Espírito Santo, para que intercedesse por elas.

Para além dos emigrantes, hoje muita gente cumpre promessas dando grandes jantares com centenas de pessoas. Nesta freguesia é hábito convidarem-se todos os seus habitantes, bem como parentes e amigos residentes noutras localidades.

Os mordomos do domingo de Pentecostes, da segunda-feira e do domingo da Trindade ficam com a coroa em casa quatro meses cada um. Durante este período de tempo, reza-se e canta-se o terço todos os dias, junto a um altar preparado na melhor sala da casa e, na semana da festa, nos salões.

A “Festa do Espírito Santo” é preparada semanas antes, pois o muito trabalho assim o exige.

Compram-se todos os preparativos para a festa – carne, farinha para o pão que, inicialmente, era cozido em casa, mas hoje, na maior parte dos casos, já é confecionado na padaria ou nos salões paroquiais. Os amigos, conhecidos e parentes ajudam a preparar a festa.

Quase todas as pessoas da freguesia contribuem dando ao mordomo bens ou dinheiro para ajudar a fazer a festa.

Hoje, compram-se flores para se enfeitar a igreja e os salões. Antigamente, todos tinham o maior prazer em ofertar as suas flores para o altar do Divino.

Na terça-feira da semana da festa, iniciava-se, da parte da tarde, a preparação dos fermentos destinados à confeção do pão para as “sopas”, cuja cozedura acontecia no dia seguinte, na quarta-feira. Hoje, algumas pessoas ainda seguem esta tradição, outras mandam cozer o pão nas padarias.

Na quinta-feira cozia-se o pão para as chamadas “esmolas” que poderiam ser de pão, carne ou vinho, consoante a promessa do mordomo. Hoje, ainda se procede deste modo, mas o mais comum é distribuir massa sovada a toda a freguesia ou apenas às pessoas que contribuem com dinheiro ou bens para ajudar à realização da festa.

Na sexta-feira à tarde, levava-se o gado enfeitado com flores ou fitas de papel, de várias cores, numa romaria, divertida, até à frente do salão, onde os convidados o apreciavam. De seguida, era levado  para a eira, onde era abatido. Tudo isto se juntava à alegria das crianças e ao rebentar dos foguetes. O ambiente era de festa.

A carne era dependurada na loja da casa de algum parente ou amigo, que morasse mais perto do salão. Atualmente, este rito já não existe. Todo o gado é abatido no matadouro e trazido na sexta-feira e no sábado, de manhã, para as festas do domingo de Pentecostes, segunda-feira e domingo da Trindade, respetivamente.

Hoje, quase todos os salões estão munidos de um quarto para desmanche, onde se limpam e salgam as carnes para a festa.

Na sexta-feira, o pão e a carne são benzidos pelo sacerdote da freguesia. À noite, tem lugar o tradicional jantar da “matança do gado” para as pessoas que estão a ajudar nos preparativos para a festa e convidados.

No sábado, logo pela manhã, faz-se o tradicional arroz doce, prepara-se a carne, que fica a assar, durante a noite, no forno de lenha.

Antigamente, no dia da festa, logo pela manhã, os foliões iam acordar os mordomos que se levantavam e lhes vinham servir o pequeno almoço. Este é um dos hábitos que caiu em desuso.

Ao chegar ao local da festa veem-se tachos a fumegar, longas mesas artisticamente decoradas, onde, após a missa, se vão sentar centenas de pessoas e onde abundavam medas de pão d’água,  de leite e o delicioso arroz doce.

Sobre as mesas colocam-se pratinhos espalhados com doces variados, caramelos, suspiros, confeites e frutinhas diversas, massa sovada, sumo, água e o tradicional vinho de cheiro.

A refeição é constituída pelas sopas, carne cozida, batata, couve e repolho, seguindo-se a carne assada acompanhada, algumas vezes com arroz e, por fim, o tradicional, e muito apreciado, arroz doce.

Perto da hora da missa, inicia-se o cortejo para a Igreja, com as senhoras com os açafates de vésperas à cabeça, seguidos da bandeira, dos estandartes e da coroa, todos estes, fechados em quadros com varas. Atrás da coroa seguem os familiares mais próximos e a encerrar o cortejo, a filarmónica.

A celebração da missa com cânticos solenes é muito participada, tendo como momento alto, a coroação dos mordomos.

À tarde, junto ao Império, são distribuídas, por todas as pessoas que por ali passam, as saborosas “vésperas” confeccionadas com farinha, leite, banha de porco, manteiga de vaca e ovos.

Depois de distribuídas as vésperas faz-se o encerramento da festa com a mudança da coroa para a casa do mordomo do ano seguinte.


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